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segunda-feira, outubro 13, 2008

Je me plains par email


Colegas, minha vontade de ficar em casa também é muito grande, de preferência vendo filmes do Alfredo Hitchcock, debaixo do cobertor e sozinho em casa, enquanto chove preto-e-branco lá fora. Entre um chocolate-quente e outro, leio um mangá, um pocket em inglês ou francês ou termino triunfalmente a seleção de fábulas italianas reescritas pelo Ítalo Kalvin. Ou, ainda, das duas uma (ou as duas ao mesmo tempo): posso fingir que trabalho na piauí e ganho um pouco acima da média, mas ainda pouco, com o plus de trabalhar em casa e viajar pelo mundo na apuração de uma matéria maluca, ou finjo que sou um pesquisador de renome que explico aos meus aluninhos virgens que a semiótica tensiva permite entender O Gato Felício de um jeito que eles nunca imaginaram. Hahaha. De todo modo serei um solitário errante, preso nas minhas fantasias.

Queridos, não é por mal, mas agora voltando à nossa realidade seca, quente e ensolarada, sem tons de verde para ver, ainda temos de entrevistar a fulana da Vila Planet e conseguir o contato daquela mulher que tem um restaurante e foi amiga de JK. Lembra? Voltar à pauta escrita e formulada é bom e desesperador - a gente vê o quanto erramos e fugimos da idéia original, além de não termos quase nada apurado.

tequieremos, láfora!

errata: percebi que a fulana da Vila Planet é a mesma que tem um restaurante e foi amiga do JK - ou melhor, é viúva do chef do JK. agora enxergo um futuro.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Querido leitor



Querido leitor,

Gostaríamos de avisar que o jornal vai atrasar. Até não se sabe quando. Bom, pelo menos até resolverem o problema do calor, que ressalta a nossa sensualidade e aumenta consideravelmente o estresse. Pode ser que tudo volte ao normal depois da reforma da FAC, quem sabe não teremos um ar condicionado? Enquanto isso, a editora-chefe deu um beijo na mesa e foi esfriar a cabeça (beeem longe daqui). Os diagramadores optaram por duas coisas: sucumbir à pneumonia ou festejar o Carnagoiânia. Os revisores, como não há páginas a revisar, não revisam. E, no final, vão sobrar cinco ou seis alunos sobrevivendo nesta redação, um lance meio seleção natural, meio Darwin demais pro meu gosto. Nesse ambiente de guerra que é um currículo doido que comunga rádio e impresso no MESMO semestre, não há botafora que salve (não mesmo) - e se você, leitor, estivesse na nossa pele, já teria mandado tudo para os ares. Sério.

Beijo,
fui.
(Flávio Silva, editor de fotografia da edição 330)

(crédito da foto: capo.mario)

quinta-feira, abril 24, 2008

Carta de amor

Meu bem,

Há três dias aquele caroço de alguma-coisa jaz no chão do banheiro. Aquilo parece uma barata. Eu entro no banheiro, e, mesmo antes de acender as luzes, vejo o troço no chão e acho que é uma barata. Sempre levo um susto. Você ia gostar se eu deixasse uma azeitona preta dentro da sua caneca preferida e você achasse que era um cocô de bode? Por que você não tirou o negócio de lá ainda? Isso é típico seu: sair pela casa espalhando as coisas como se elas fossem perfume, por mais horrendas que sejam.

Outro dia cheguei tarde e você ainda não tinha dado um jeito nas toalhas molhadas. Você sai do banho, usa todas as toalhas disponíveis e joga tudo no chão! Emboladas, ainda por cima. Você podia pelo menos estendê-las no chão, pra secar mais rápido. Mas NÃO! Eu chego e elas estão úmidas. O pior é que eu sempre acho que elas estão úmidas de suor, porque você aprendeu com aquela sapa da sua mãe a enxugar a testa toda hora com qualquer toalha que aparece na frente. Credo!

Um último lembrete: tem suco de uva na geladeira, daquele que você gosta. Eu comprei. Mas peloamordeDeus não vá fazer baderna na cozinha, porque você adora abrir os sucos e, sem óculos, por causa dessa miopia idiota, você sai pingando metade da garrafa no chão, sendo que a Raimunda acabou de encerar o porcelanato. Tem biscoito também, mas não come tudo porque eu quero experimentar!

Nos vemos mais tarde, deixe a casa em ordem,
beijo.